Coluna: O Som da Coisa - Por Herom Vargas


1973

Depois de escrever o texto da coluna do mês passado sobre o disco Catch a Fire, de Bob Marley e The Wailers, vi que o ano em que ele foi lançado, 1973, foi um dos mais produtivos para o campo musical, em especial o pop. Dá a impressão de que compositores, músicos e bandas se colocaram na fila da criação e produziram trabalhos que ficaram para a história. Catch a Fire é apenas mais um no mar de sucessos e experimentalismos no pop, no rock e também na música brasileira nesse ano.

1973 é o ano de lançamento de um dos maiores e melhores discos do chamado rock progressivo. Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, é exemplo bem acabado de disco conceitual, aquele em que todas as faixas carregam faces de um tema ou que, na forma, trabalha com padrões de experimentação. É o terceiro disco mais vendido de todos os tempos.

Na mesma área do progressivo, o ano guarda a terceira formação (e uma das melhores!) do grupo King Crimson, do guitarrista Robert Fripp, com o disco Larks? Tongues in Aspic. O inglês Jethro Tull lançou, também neste ano, o álbum A Passion Play que, se não foi o melhor da carreira, marcou bem a cena do progressivo.

Outra banda inglesa que deixou marcas em 1973 foi o Yes, com seu primeiro disco ao vivo, o triplo Yessongs, um exagero dentro dos padrões da indústria fonográfica. Também o Genesis brindou o ano com seu primeiro álbum ao vivo, ainda com Peter Gabriel nos vocais e no centro das performances de palco.

The Who continuou sua saga em óperas-rock e gravou, em 1973, o duplo Quadrofenia, em que mostra a esquizofrenia do personagem central dividido pelas personalidades dos quatro integrantes da banda: Daltrey, Townshend, Moon e Entwistle.

Se pensarmos no rock pesado, nesse ano veio à luz Sabbath Bloody Sabbath, um dos discos mais importantes do grupo Black Sabbath, liderado por Ozzy Osbourne e Tony Iommi.

No pop, foram fundamentais o duplo Goodbye Yellow Brick Road, grande sucesso de Elton John, Band on the Run, um dos mais vendidos do Wings, grupo de Paul McCartney pós Beatles, e o LP Music and Me, de Michael Jackson.

Enquanto isso, em terras brasileiras, eram lançados Krig-Ha Bandolo, de Raul Seixas (com canções clássicas como Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante e Mosca na Sopa), Secos e Molhados, disco de estréia do grupo que soube juntar sucesso comercial (com as músicas O Vira e Sangue Latino) e experimentalismo (com Rondó do Capitão e As Andorinhas) e Pérola Negra, primeiro álbum de Luiz Melodia.

Como o mundo não é só alegria, a nota triste de 1973 ocorreu em 17 de fevereiro com o falecimento do mestre Pixinguinha.

Pena que nem todos os anos são assim. O que será de 2008?

Herom Vargas, é doutor em Comunicação e Semiótica e professor nos cursos de comunicação da USCS e da Universidade Metodista de S. Paulo. Já tocou em vários bares da vida e, atualmente, pesquisa música popular. Fale com o Herom: redacao@entermagazine.com.br

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