Panic at the Disco: Pretty. Odd
19/3/2008
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Por Ira Carlovich
Histórinha: Em 99, uma banda começou a ganhar notoriedade após emplacar nas rádios e paradas um hit que posteriormente viria a ser gravado pelo ex-Beatle, George Harrisson.
Na mesma intensidade em que inspirou seguidores, o grupo também ganhou uma série de críticos severos.
Em 2001, a banda (dos todos já barbudos) lança seu segundo álbum e mostra-se amadurecida e com uma sonoridade totalmente diferente. O resultado? Impressionantemente perdeu poucos fãs e começou a ganhar a admiração de grande parte de seus detratores.
A cada novo disco, ficava claro que o grupo tentava reinventar-se e com isso, àqueles mesmos que os acusavam de serem rasos no início, os transformaram em fenômeno ?cult? no Brasil, até que o mesmo anunciou uma ?pausa indefinida? nos trabalhos em 2007.?
Bom, acho que a esta altura é desnecessário dizer que a banda a qual me refiro é o Los Hermanos, certo?
Pois bem, em primeiro lugar: isso de maneira alguma é uma comparação entre o Panic at the Disco e a banda carioca, muito diferentes tanto em postura quanto em sonoridade.
Segundo: isso tampouco é um exercício de futurologia, visto que falamos de mercados totalmente distintos (norte-americano e brasileiro).
Mas o que é isso então? Simplesmente um caso bem próximo de nós que pode ilustrar algumas coisas que o Panic passou, assim como também pode servir de HIPÓTESE para o que o futuro reserva para a banda.
Pretty. Odd, o novo disco do quarteto de Las Vegas não tem nada, a não ser a voz de Brendon Urie, semelhante ao primeiro trabalho, A Fever You Can?t Sweat Out.
No lugar das roupas afetadas entram botas e camisas de flanela. No lugar de efeitos eletrônicos, entram metais e colagens sonoras.
Desta vez não há casamentos cínicos e cabarés. Desta vez escutamos o que poderia perfeitamente ser a trilha de uma fábula, um conto-de-fadas.
Já no primeiro single, Nine in the Afternoon, Urie anuncia: ?Into a place, where thoughts can bloom? (Em um lugar onde pensamentos podem florescer). E é isso mesmo, Pretty. Odd parece narrar esta nova jornada da banda em um mundo novo, criado a partir da imaginação do PATD.
É aqui que conhecemos a paixão entre o Sol e a Lua em Where The Day Met The Night, as nuvens cantantes de Do You Know What I m Seeing?, as tristes músicas de Paul Cates em Mad As Rabbits.
É neste novo mundo que o Panic mostra sua faceta folk (Behind the Sea), por vezes country (Folkin Around), seu lado romântico (Northern Downpour) e mistura tudo com pop/rock (Pas de Cheval), e muitos instrumentos, o que também o faz soar como uma fanfarra.
E entre histórias fantásticas deste mundo que deve ganhar cores e vida nos clipes da banda, surgem lembranças de tempos distantes, talvez até de vidas passadas: ?You remind me of a former love, that i once knew/and you carry a little piece with you? (Você me lembra de um antigo amor, que uma vez conheci/e que carrego uma parte comigo), em I Have Friends In Holy Spaces.
E são nessas passagens que podemos lembrar dos cabarés e casamentos cínicos. Fãs vão estranhar, mas assim é a vida... e eles sempre vão carregar afeição por aquela velha banda, a da exclamação, lembra?
Ainda não se sabe onde este novo capítulo levará o PATD, mas o recado foi dado, ?Things have changed for me, and that's okay/I feel the same? (As coisas mudaram para mim, e está tudo bem/Me sinto o mesmo).
Ah, mais uma coisa, dê uma chance a Pretty. Odd, é um disco bom e muito interessante, para ser escutado mais de uma vez!
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